Outro estilo para os elétricos da Hyundai com o Ioniq 5 (Foto Hyundai Media Center)

Nova plataforma específica permite grande distância entre eixos (Foto Hyundai Media Center)

Excelente postura e um pisar que privilegia o conforto (Foto Hyundai Media Center)

Ambiente moderno, simples e cuidado nos materiais (Foto Hyundai Media Center)

Dois ecrãs de 12,3 polegadas concentram toda a informação e oferecem muitas facilidades (Foto Hyundai Media Center)

Câmaras, grafismo e ofertas no infoentretenimento representam grande salto (Foto Hyundai Media Center)

Excelentes bancos e espaço de sobra à frente (Foto Hyundai Media Center)

A consola é um bloco móvel que pode recuar 14,4 cm (Foto Hyundai Media Center)

Postits, fotos o que um íman fixar tem espaço próprio no tablier (Foto Hyundai Media Center)

Habitabilidade traseira invejável, em bancos que também podem avançar (60x40) e são aquecidos (Foto Hyundai Media Center)

Bagageira tem 527 litros de capacidade e pode chegar aos 1 587 (Foto Hyundai Media Center)

À frente, a caixa para os cabos tem 57 litros de capacidade (Foto Hyundai Media Center)

Solução original para as luzes dianteiras, full LED, claro (Foto Hyundai Media Center)

Assinatura luminosa traseira na mesma linha (Foto Hyundai Media Center)

Porta de carregamento atrás, do lado do passageiro (Foto Hyundai Media Center)

Um toque de originalidade nas portas traseiras (Foto Hyundai Media Center)

Identificação orgulhosa entre as luzes traseiras (Foto Hyundai Media Center)

Jantes de 19 polegadas robustecem o conjunto (Foto Hyundai Media Center)

Teto solar pode valer mais 1500 km de autonomia anual; custa €3 000 (Foto Hyundai Media Center)

Estilo, espaço, conforto, grande autonomia são os argumentos fortes do Ioniq 5, o elétrico daquela que agora se transforma em submarca marca do grupo Hyundai, destinada aos elétricos, um domínio em que o emblema sul-coreano quer ser líder na Europa já em 2025. E para tão ambicioso objetivo, a proposta nem deslustra. Bateria de 72,6 kwh, 217 cv, custa 50 990 euros e já chegou a Portugal.

Construído sobre a nova plataforma específica para os elétricos do Grupo Hyundai (E-GMP), o Ioniq 5 é um crossover do segmento C, estilo disruptivo, moderno e arrojado mas, do meu ponto de vista, bem apessoado. É simples, por um lado, apurado por outro, emana robustez e força e até consegue utilizar influências da nova linguagem de design da marca, como os vincos transversais no perfil a lembrar o Tucson. Os puxadores das portas embutidos compõem a imagem, como os sombreados (azuis, claro) aas reentrâncias rasgadas nas portas traseiras, sobre as embaladeiras, e à frente, simulando entradas de ar.

A frente dispensa a grelha tradicional, mas conta, em baixo, com duas rasgadas entradas de ar móveis, com abertura automática sempre que há necessidades de refrigeração. Os grupos óticos são originais, muito finos, e ligados por uma faixa preta iluminada por barras verticais sempre que as luzes se acendem. Sobre tudo isto assenta um capô em concha que contribui para uma imagem de compacidade invulgar.

A traseira é muito conseguida, resulta de uma espécie de colagem de placas transversais, marcada pelas luzes paramétricas, tudo em LED como à frente, num curioso e vistoso quadriculado que confere imagem única e original.

Não lhe pedindo aquilo para que não foi feito, este Ioniq 5 é um automóvel agradável de guiar, com o qual se cria empatia fácil. Ao silêncio de marcha acresce uma insonorização cuidada e uma aerodinâmica que nem nas zonas marítimas ventosas revelou aqueles ruídos e sopros que incomodam mais num elétrico

Uma verdadeira revolução no estilo, ligação alguma ao “velho” e  cinzentão Ioniq com aquele imagem típica da necessidade de marcar o automóvel elétrico. Tem semelhanças com o primo EV6 da KIA, mas parece-me mais consensual.

Ambiente moderno e qualidade a bordo

No interior, a indispensável imagem high-tech, também ela sem espaventos, transporta para os dois ecrãs de 12,3 polegadas, suspensos ao longo de mais de metade do tablier, peça de design simples com aspetos curiosos como a fina rede chapeada (perece um altifalante), à esquerda do condutor, em que pode fixar-se tudo o que um íman permitir… Registo para o facto de a climatização ter controlos digitais separados do ecrã e de este contar com alguns atalhos físicos. Sempre ajuda…

O ambiente é moderno, os materiais convencem, a sustentabilidade relacionada com a sua origem marca pontos e a montagem dispensa críticas, como já se tornou habitual. Grande parte do interior – bancos, linha do teto, portas, piso e o descanso para o braço – utilizam materiais de origem sustentável, como garrafas de plástico recicladas, fios à base de plantas (bio PET) e fios de lã naturais, pele processada com extratos à base de plantas, e tinta biológica com extratos de plantas… São as novas preocupações!

Um volante multifunções interessante, com patilhas para regular a regeneração – chega-se ao que a Ionoiq chama i-pedal – tem ainda agregado o seletor de marcha. A consola é móvel, uma peça que corre 14 cm longitudinalmente e permite gerir de forma original o espaço para arrumações. O travão de mão elétrico está num botão à esquerda do volante. Mas o espaço resultante da utilização desta plataforma, com distância entre eixos de três metros, constitui o argumento maior. Fundo plano, sobre as baterias, também elas entre eixos, o interior do Ioniq 5 corresponde à imagem do salão que a Hyundai quer fazer passar. Não há conflito de cotovelos à frente, não falta habitabilidade na traseira, espaço para as pernas e em altura, mesmo que seja preferível viajar com quatro pessoas a bordo e o recosto de braços deitado.

A bagageira é honesta em termos de capacidade, no confronto com as propostas do segmento: 527 litros até 1 587 com os bancos rebatidos (60×40). E, obviamente, o portão está eletrificado (abre também pelo interior e através da chave).

Três modos de condução para 217 cv e 30 Nm de binário

Tração traseira, o Ioniq 5 tem um motor de 217 cv e 350 Nm de binário máximo alimentado por uma bateria de 72,6 kwh. A autonomia anunciada é de 481 quilómetros (686 em meio urbano). Há três modos de condução – Eco, Normal e Sport (selecionáveis num botão no volante). Duas horas de condução não permitiram ajuizar do realismo destes números, de todo o modo, um consumo de 21,5 kWh é um bom indicador para resultados convincentes.

As prestações são interessantes, 7,4 segundos de 0 a 100 e 185 km/h em velocidade de ponta. Não significam porém, uma apetência pelo temperamento desportivo. Assumidamente, este é um automóvel que privilegia o conforto, com uma suspensão muito absorvente. Nas zonas mais sinuosas, o Ioniq 5 não gosta de excessos, a suspensão é muito suave e ressente-se, a direção pouco direta até nem ajuda e a resposta  às acelerações e a um curvar mais assertivo é levantar o pé para usufruir do prazer de um automóvel muito confortável. Para isso, outro temperamento haverá, em breve, o tração integral com um motor por eixo.

Não lhe pedindo aquilo para que não foi feito, este Ioniq 5 é um automóvel agradável de guiar, com o qual se cria empatia fácil. Ao silêncio de marcha acresce uma insonorização cuidada e uma aerodinâmica que nem nas zonas marítimas ventosas revelou aqueles ruídos e sopros que incomodam mais num elétrico.

Muito equipamento e teto solar em opção

Em termos de equipamento a oferta é rica e só no que respeita à segurança temos: condução semiautónoma de nível 2 com assistência de mudança de faixa de rodagem, cruise control Inteligente, assistência de acompanhamento da faixa de rodagem, sistema de manutenção à faixa de rodagem, sistema de Informação da velocidade máxima, controlo automático dos máximos, detetor de ângulo morto, alerta de fadiga do condutor, travagem autónoma de emergência  com deteção de veículos, peões e ciclistas, além de junction e crossing, lane-change oncoming e lane-change side com direção evasiva. Não falta o head-up display de realidade aumentada, nem o carregador wireless, mas a compatibilidade com o Android Auto e o Apple CarPlay ainda exige fios.

O Ioniq 5 oferece, de série, uma capacidade de carregamento ultra-rápido de 800 V, e um carregamento de 400 V, sem a necessidade de componentes adicionais ou adaptadores. Com um carregador de 350 kW, carrega dos 10% aos 80% em apenas 17 minutos e alcança 100 km de autonomia com apenas cinco minutos de carregamento. Além disso, fornece uma função inovadora Vehicle-to-Load (V2L), que permite aos condutores carregar qualquer equipamento elétrico.

A versão Vanguard é comercializada por 50 990 euros e paga mais três mil euros quem optar por um teto solar, o qual melhora a eficiência energética, previne o descarregamento da bateria e, segundo a Hyundai, dependendo da exposição solar, pode prolongar a autonomia de condução mais de 1 500 quilómetros por ano.

Quanto a garantias, sete anos sem limite de quilómetros, oito anos para a bateria de alta voltagem, e ainda sete anos de assistência em viagem e check up anuais gratuitos.

FICHA TÉCNICA

Ioniq 5 Vanguard

Motor: síncrono de íman permanente, traseiro

Bateria: 72,6 kWh, iões de lítio; 653,4 V

Potência: 217 cv

Binário: 350 Nm

Transmissão: velocidade única, tração traseira

Aceleração 0-100: 7,4 segundos

Velocidade máxima: 185 km/h

Autonomia (WLTP): 481 km (686 em meio urbano)

Eficiência energética: 16,8 kWh/100 km

Carregador de bordo: 10,5 kW, trifásico

Tempos de carga: standard – seis horas e nove minutos; rápida a 50 KWh, 56 minutos; a 350 kWh, 17 minutos

Peso:  1 990 kg

Dimensões: (c/l/a) – 4 635/1 890/ 1 605 mm

Bagageira: 527/ 1 587 litros; 57 litros à frente

Preço: 50 990 euros