Estilo e boa presença para o Mustang elétrico (Foto Ford Media)

Imagem de força e poder em postura afirmativa com bom pisar (Foto Ford Media)

Grande capô entre os genes de família (Foto Ford Media)

Traseira de ombros largos na linha do «chefe de família» (Foto Ford Media)

Grande ecrã vertical tátil - 15.5 "- domina o tablier (Foto Ford Media)

Não falta o painel de instrumentos em frente do condutor (Foto Ford Media)

Seletor de marcha rotativo na consola e carregador wireless (Foto Ford Media)

Bancos confortáveis, com pouco apoio, posição de condução elevada (Foto Ford Media)

Habitabilidade não é problema nos lugares traseiros (Foto Ford Media)

Tejadilho integral panorâmico de série nos First Edition (Foto Ford Media)

Bagageira não vai além da mediania com 420 litros de capacidade (Foto Ford Media)

Sob o capô, uma caixa drenável com 81 litros de capacidade (Foto Ford Media)

Moldura negra ajuda a simular a grelha substituída por uma placa (Foto Ford Media)

Grupos óticos em LED com assinatura curiosa (Foto Ford Media)

Luzes traseiras replicam as três barras tradicionais (Foto Ford Media)

Um botão tátil, originalidade para a abertura das portas (Foto Ford Media)

Jantes de 19 polegadas e pinças de travão em vermelho, nesta versão (Foto Ford Media)

Carregamento preparado para postos de 150 kWh (Foto Ford Media)

Plataforma em aço com 2,98 metros entre eixos para receber grandes baterias (Foto Ford Media)

A primeira impressão tinha sido boa, uma contacto mais prolongado confirmou as qualidades do Ford Mustang Mach-e com a bateria de maior capacidade (98,7 kWh) e tração integral, por via de um motor em cada eixo. Mantive os 18 kWh de consumo médio, com muito pouca cidade, o que, feitas as contas, promete uma autonomia de 488 quilómetros (540 anunciados). E como potência (350 cv) e binário (580 Nm) são de respeito, como o peso (2182 kg), é um valor assinalável. Claro, o preço não é para todos: 66 800€.

O elétrico em forma de crossover não deslustra a designação Mustang e a aposta é tão grande que até dispensa os emblemas da Ford na carroçaria. Construído sobre uma plataforma em aço criada especificamente para modelos elétricos, por isso com as baterias entre eixos e fundo plano, traz a marca norte-americana para um patamar de relevo no mundo dos elétricos.

E, dando primazia ao desempenho, faz jus às qualidades dinâmicas que a Ford gosta de emprestar aos seus modelos de cariz desportivo. Primeiro porque o binário quase instantâneo de 580 Nm permite ultrapassar com facilidade notável e garante uma resposta impressiva nas saídas de curva, se a intenção for uma condução empenhada.

Depois, porque o equilíbrio da direção, em qualquer dos três modos de condução, a travagem diferente do habitual nestes automóveis, mais mordaz, complementam um comportamento em curva que vai agradar a quem faz este tipo de escolha a privilegiar as prestações. E nas estradas serpenteantes vamos descobrir um Mustang de temperamento divertido, com a traseira, quando se força o andamento, a mostrar-se mais solta e a “ajudar” nas trajetórias sem comprometer e domando-se facilmente.

Elétrico de imagem vistosa e bem equipado, espaçoso e cómodo, consumos razoáveis e boa autonomia para um tração integral, dinâmica interessante, o Ford Mustang mach-e com a bateria de 98,7 kWh está à altura do simbólico emblema que ostenta

Conduzi sempre com a função one-pedal acionada (o que também se faz no ecrã central), a regeneração pareceu-me eficaz e o sistema muito equilibrado, tanto na aceleração como no arranque, situação em que, por vezes, o binário pronto dos elétricos provoca ligeiros solavancos.

Três modos de condução, seletor de marcha rotativo

Os três modos de condução, com designação pouco vulgar, Active, Whisper e Untamed (mais ou menos ECO, Normal e Sport) não contemplam alterações na suspensão e é na resposta do acelerador e na direção que se sente a diferença, notória sobretudo na opção mais desportiva. E é nesta opção que poderá fazer mais sentido utilizar o sintetizador de som a provocar um ambiente que me parece ser mais para mostrar aos amigos do que exatamente para fruir da ideia de um automóvel a combustão.

Um reparo: é uma pena ter de ir ao ecrã para escolher o modo de condução. E mais um: o seletor de marcha rotativo não é o melhor exemplo de solução prática quando, por exemplo, se fazem manobras de estacionamento ou inversão de marcha.

De um modo geral cómodo, este Ford que, às vezes, dá a ideia de molejar um pouco sem lhe faltar firmeza, reage mal às estradas de mau piso e, sobretudo, àquelas lombas que os nossos autarcas têm “plantado” país fora: é mesmo preciso abrandar…

Sem a emblemática grelha dos Mustang, mas não dispensando o emblema do cavalo a galope, um grande capô e a traseira em que pontificam as históricas óticas das três barras, temos um crossover de formas conseguidas, com tejadilho bem inclinado a vincar a imagem desportiva. Um automóvel vistoso, com presença e a emanar força e poder.

Espaço e qualidade a bordo

O interior parece uma resposta ao estilo da Tesla, com um grande ecrã vertical, de utilização razoavelmente intuitiva, com 15.5 polegadas (o sistema é o SYNC mais recente e inclui um grande botão físico para o volume do áudio) a dominar o ambiente, mas complementado por um estreito e prático painel digital por detrás do volante e onde desfilam as informações habituais na apresentação convencional. Uma excelente e prática solução. De todo o modo, não é muita a informação disponibilizada em matéria de eficiência do Mustang.

Na linha da consola, que integra o seletor de marcha rotativo há um grande apoio de braço dobrável e flutuante que contempla um espaço de armazenamento. Tudo muito cuidado e bem pensado.

O design do habitáculo é conseguido, sugestivo e impressiona sobretudo a qualidade percebida, a escolha e combinação dos materiais, a um nível que ultrapassa em muito o que esperamos de um automóvel vindo dos EUA e que o distancia da concorrência local. Se quisermos, um minimalismo menos frio do que aquele a que nos habituaram referências deste mundo dos automóveis elétricos além Atlântico..

Espaço não falta neste quatro portas que beneficia de uma plataforma com uma distância entre eixos invulgar: 2,98 metros. E daí é fácil perceber o que o Mustang Mach-E representa em termos da oferta em habitabilidade, incluindo esse desafio sempre controverso dos cinco lugares. Nota para o facto de a altura do fundo condicionar a dos bancos e daí uma posição alta dos joelhos. Quem se sentar ao meio é o que sabe num carro que não dispensa o apoio de braços central a impor outra rigidez do recosto.

A bagageira apresenta valores abaixo das mais recentes ofertas, 402 litros de capacidade que podem chegar aos 1420 com os bancos rebatidos. Acresce que a Ford aproveitou o espaço livre na dianteira para, a exemplo do que faz no Puma, instalar uma caixa com 81 litros de capacidade, dotada de um bojão que permite um espaço drenável.

Original abertura de portas e bom nível de equipamento

Entre as curiosidades, também um sistema que permite abrir as portas através do telemóvel, portas que não têm fecho convencional e abrem através de um botão tátil assinalado por um círculo branco. O telemóvel também pode ser utilizado.

No que respeita ao carregamento, o Mustang Mach-E com a sua potência de carga de 150 kW, permite, num posto rápido, ganhar 119 km em dez minutos. Numa wallbox de 11 kW “atesta” em oito horas.

Elétrico de imagem vistosa e bem equipado, espaçoso e cómodo, consumos razoáveis e boa autonomia para um tração integral, dinâmica interessante, o Ford Mustang Mach-e com a bateria de 98,7 kWh está à altura do simbólico emblema que ostenta.

A versão que guiei foi uma First Edition com faróis LED adaptativos, jantes em liga de 19”, retrovisores aquecidos e recolhíveis, banco do condutor com ajuste elétrico, ar condicionado automático, carregador wireless, tejadilho integral panorâmico, limpa-para-brisas automático, luz ambiente multicolor, painel de instrumentos com 10.2″ e ecrã central digital de 15.5″ (navegação, rádio DAB, bluetooth), volante multifunções aquecido, cruise-control adaptativo, travão de mão elétrico, pinças de travão vermelhas, radar/câmara de assistência pré-colisão, assistência dinâmica à travagem, telefone como chave.

As baterias têm garantia de oito anos ou 160 000 quilómetros.

FICHA TÉCNICA

Ford Mustang Mach-e  AWD 98,7 kWh

Motor: um por eixo, mais pequeno o dianteiro, dados não revelados

Potência: 350 cv

Binário máximo: 580 Nm

Transmissão: tração integral, velocidade única

Aceleração 0-100: 5,1 segundos

Velocidade máxima: 180 km/h

Consumo: 18,7 kWh/100 km (WLTP)

Bateria: iões de lítio, 98,7 kWh (88 kWh disponíveis)

Dimensões: (c/l/a) – 4712/1881/1597 mm

Peso: 2182 kg

Bagageira: 402/1400 litros

Preço: 66 800€, versão ensaiada; desde 50 085€ para versão com bateria de 75,7 kWh e tração traseira